O assunto se tornou atualíssimo, portanto não posso deixar de me pronunciar, ainda mais que falo "os peixe" sim, e "custano 12 real" o quilo. Mas escrevo certo. Eu sou um incentivador, um estudioso e praticante da língua cabocla brasileira. Intelectualismo idiota comigo não tem vez. O que permaneceu da língua em poder das pessoas é porque faz sentido. É a pedra rolada do uso, sacralizando, consagrando a linguagem coloquial.
Tô nem aí para a polêmica, com direito até a artigo incompreensível de Caetano. Não sei nem quem são as autoridades responsáveis por isso. Eu me importo é com o que as pessoas falam.
E aí eu repito e acato frases como “Nóis trevessemo aquele quéto sem dificulidade” (Sertão) com a mesma naturalidade de “Ach carm´na falô da rôpa (“acho que as meninas falaram da roupa”, em linguagem do Pelô) O que não gosto, o que eu acho que é resultante da falta de escola pública de boa qualidade, é daquela linguagem suburbana, em que “jardinho” substitui “Jardim”. Nessa língua, eu já escutei de tudo. O capoteiro disse: “O senhor dá uma lavagem celebral no carro todo, aí eu ajeito a fechadura...”.
O vendedor disse:
“Essa o senhor pode levar que não tem nenhum efeito colesterol...”
O colega músico perguntou: “E o senhor sabe mais ou menos a faixa etária do cachê?” Chega!
Fui falar hoje com a caixa do Bompreço que “contamos com sua compreenção” estava errado e ela me disse : – Há, claro, compreenssão é com dois esses! Isso foi no supermercado de Nazaré!
No passado foi o pintor: – Olha seu Fred, não adianta pintar mais, tem que falar com seu vizinho, porque o problema dessa parede é a humildade!
A falta de escola pública de boa qualidade deixa o meu “sistema nervoso”, mas “apesar dos apesares” a língua é viva e nos movemos com ela. É uma “pressão muito psicológica” ter que falar tudo gramaticalmente certinho e no “fritar dos ovos” acho até engraçado essas excentricidades linguísticas, tanto que passei a incorporar algumas expressões. Lá no trabalho o povo fica "indignante" às vezes, entretanto tentar evitar a linguagem popular contemporânea seria um processo muito pedagógico.
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