Apóstata
Então eu estava diante dos músicos da Oficina de Frevos e Dobrados, prestes a iniciar os ensaios com as marchas centenárias, que estávamos trazendo de volta à Procissão do Senhor Morto, na Sexta Feira Santa do Centro Histórico.
Comecei a discursar sobre como a Arquidiocese vive elogiando e/ou promovendo espetáculos que captem um grande público e às vezes se esquece de apoiar eventos tradicionais e verídicos, como a Procissão do Senhor Morto. Não é um teatro, é algo que vem antes, em que as pessoas que participam e acompanham se sentem de fato pertencendo àquilo. . . e continuei falando: “eu por exemplo, faço essa coleção de arranjos da Paixão por reconhecer esse valor histórico e religioso, se bem que em relação à Igreja eu me sinta um tanto apóstata...”
Interrompi quando notei que ninguém compreendeu. Perguntei então:
-Apóstata! Alguém sabe o que significa? Ninguém respondeu.
Eu falei: - Se arrisquem! Vocês são futuros líderes de filarmônica, têm que pelo menos tentar, ao invés de ficar calados.
Então um músico de fato arriscou: - É uma maneira de dividir o peixe, professor.
- Um peixe, então eu me sinto uma parte de peixe? Alguém tente de novo: - o que significa um apóstata?
Outro músico então: - É uma pessoa viciada em jogo!
Eu já ia dizendo “chega!”, quando Pedro, meu filho, mandou de lá:
- Eu sei, é um exame que todo homem tem que fazer depois dos 40...
Textículos, anotações risíveis de episódios da vida real.
Publicado na Capital Baiana, em fevereiro de 2009
Publicado na Capital Baiana, em fevereiro de 2009

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