Homenagem ao dia das mães

Homenagem ao dia das mães
Fred Dantas e orquestra - Pelourinho/Ba-Maio/2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Vamos então a algumas das muitas tradições encontradas no estado da Bahia

Abôio: Canto de trabalho de linha melódica, calcada sobre vogais, entoados pelo vaqueiro ao conduzir o gado. Os abôios são monótonos e plangentes, onde o canto finaliza sempre com uma frase de incitamento à boiada (ê, boi, ê...). Ex.: Vida de vaqueiro, com Manoelzinho Aboiador, de Serrinha;

Boi de roça: É um canto de trabalho entoado durante as limpezas de roça em mutirão, onde uma dupla de solistas intercala com outra dupla, músicas em andamento não marcado, em estilo recitativo. Ex.: Boi de Roça Raízes da Quixabeira, em Araci (BS&P, CD 7, faixa 11);

Bumba-meu-boi e burrinha: Eventos desmembrados do reisado são metáforas sociais, realizadas sob o manto dos acontecimentos festivos e natalinos. Consiste numa série de pequenos quadros, com aparecimento de vários personagens, concluindo com a morte e ressurreição do boi. Além de toda a simbólica envolvendo o boi como representação do próprio povo brasileiro. Na divisão realizada das partes do animal sacrificado são feitas várias referências a fatos e personagens da comunidade. Ex: Eu vim lá de cima e A divisão do boi, com o Bumba-meu-boi de Parafuso. (BSP, CD 2, faixas 9 e 10);
Cantigas de Roda: São músicas realizadas sem instrumentos e próprias para serem cantadas em roda, de mãos dadas, geralmente ao final dos turnos de trabalho nas comunidades quando não há rádio nem televisão. Aqui, intercalados por um refrão, são lançados versos individuais, através dos quais são feitas críticas, proclamadas espertezas ou declarações sutis de amor. Ex: cantigas de roda, com o grupo de roda do recanto, Serrinha;

 Cantos de Trabalho: São canções que disciplinam e divertem o trabalho feito em conjunto e em mutirão, com destaque para as batas de feijão, batalhões de roçagem, beneficiamento da mandioca ou do fumo. De acordo com a natureza da tarefa, muda o andamento e o tempo forte da música. Na região do cacau, por exemplo, o canto de colheita é feito em recitativo, descansadamente, pois o golpe do podão e a recolha do fruto é um trabalho em conjunto, mas cada ação é individual. Ex.:  BS&P CD 3 faixa 3; Sindô lê lê, com Valderez, em Salobrinho- Ilhéus. Já o canto de secagem é bem ritmado, pois o serviço, feito com os pés no estaleiro, ou barcaça, requer a coordenação do
esforço em coletivo, quase um bailado. Ex.:  BS&P CD 4 faixa 3; tô na batida, tô na pisada,  com José Francisco, Camacan. Outros exemplos, podem ser encontardos também na faixa 7, do segundo CD, em Serrinha;  e a Pila do Café em Mocambo, Miguel Calmon, CD 7 faixa 4;
Cantos de Caboclo: A exemplo do Candomblé, a religião Umbanda adota um vasto repertório para cada entidade reverenciada. Nas diversas modalidades de Umbanda, é de especial interesse a música, por ser um repertório em língua portuguesa  gerado no Brasil, principalmente com a influência de entidades indígenas. Ex: Cantos de caboclo do Terreiro de São Jorge, Nova Viçosa (CD 3, faixa 1) e Cantos de Caboclo (CD 4, faixa 12) com Vanilda, em Itamaraju;
Cantos do Toré: Ainda que patrimônio de comunidades indígenas sobreviventes, os belos cantos do toré (cerimônia comunitária de dança ao redor do fogo), dos índios da Bahia, são belos exemplos de música comunitária, com destaque para as músicas dos Tuxás de Rodelas (CD 7), dos Pataxós,  Cantos do Ewe, com os Jovens Pataxós. (CD 4, faixas 4 e 5), de Porto Seguro; e dos Kiriris de Mirandela, a exemplo de Somos Kiriris, com Iracema e Eduarda Kiriri, mais o coro das jovens índias. (CD 3, faixa 4);

Capoeira: Conhecidos mundialmente pela própria expansão da luta como arte marcial, as chamadas ladainhas da capoeira, associados ao acompanhamento melódico do instrumento berimbau, são exemplos diferenciados de música com uma escala musical e andamentos próprios, além de conter letras educativas, que guardam a memória dos antigos mestres;

Ciranda: Cantos para coro espontâneo a capela, entoados por pessoas de mãos dadas, formando uma roda, em permanente movimento. Muito semelhante às cantigas de roda. Já as cirandas lembram mais a tradição de Pernambuco. Ex. : Ciranda de Crianças de Itapura, Miguel Calmon (BS&P, CD 8, faixa 7);
Cristãos e Mouros: Tradição de raízes ibéricas que narra o encontro de cruzados com árabes defensores da terra. Há inclusão de diálogos e representação dramática de luta, e uma incrível versão de música árabe, inclusive com ritmos irregulares. Ex.: Embaixada e Guerra de Caravelas (CD 3, faixas 5 e 6); e Embaixada de Nova Viçosa (CD 4, faixa 5);

 Concumbis: Originalmente eram grupos de negros que saiam às ruas da cidade da Barra nos dias de São Benedito e nossa Senhora do Rosário, santos católicos de devoção dos escravos. Hoje a música dos concumbis sobrevive na voz de crianças e adolescentes, organizados por líderes culturais. Exemplo: Concumbis (BS&P,  CD 8, faixa 1);

Congos: Uma espécie de marujada negra, onde, ao lado da evocação de São Sebastião ou São Benedito, eventualmente pode surgir à lembrança de um líder negro ou rei do Congo. Ex.: Louvor a São Benedito, Congos
de Cairu (CD 3, faixa 9);

Corta-palmas: Brincadeira musical envolvendo habilidade e grande coordenação rítmica, onde dois diferentes grupos, acompanhando um ponteado de viola, fazem uma marcação de samba batendo palmas em tempos alternados. Os dois grupos iniciam juntos, depois um deles começa a cortar, ou seja, colocar em contra tempo, as palmas, gerando um efeito impressionante. Ex.: Gente do Mucambo, Itapura, Miguel Calmon. ( BSeP, CD  7, faixa 5);

Drama: São momentos artísticos da comunidade, onde cenas de teatro são intercaladas por essas representações onde uma historia é cantada, mas não encenada. Grupo de dramas de Curral Novo, Juazeiro e Drama em Timbó, Esplanada. (BS&P, CD 7, faixa 18);

Embolada: Geralmente solo ou acompanhada de pandeiro. É a poesia ritmada em, versos concatenados ditos de maneira rápida, desafiando o erro. (BS&P, CD 7, faixa8), Raimundo Batista Pinto, Itiuba;

O Jango ou jongo: É uma dança de pescadores, descrita por Luís Cosme (1957) como “dança negra violenta, acompanhada de instrumentos de percussão” na qual dança uma pessoa por vez, sendo aparentemente sinônimo de Caxambu, do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Segundo Edir Gandra, o jango é “ uma dança de pescadores, da qual participam homens e mulheres, realizada ao ar livre e à noite”. Em um exemplo único na Bahia, existe o jango de pescadores da cidade  de Mucuri, fronteira com o Espírito Santo. (CD 4, faixa 11);

Levadas de rua: Cordões musicais realizados em cidades do Recôncavo baiano, geralmente nas lavagens das escadarias de igrejas, onde um cortejo de baianas é acompanhado por charanga formada por trompetes, trombones, saxofones e percussão de banda de música. Para isso, foi criativamente adaptado o repertório de samba-de-roda para a linguagem dos instrumentos de sopro. O povo criou versões pornográficas para as letras das melodias, que são cantadas com grande alarido, em meio a gritos e assovios. Ex.: Seu Tibúrcio, com integrantes da Terpsícore Popular, de Maragogipe;

Marujada: O mesmo que Fandango, no sul do país. Representação teatral envolvendo homens embarcados, cantando ao som de pandeiros, eventualmente acompanhados de viola. A maioria das marujadas não só na Bahia, mas também em Minas Gerais evoca uma lembrança distante e dolorosa do recrutamento e embarque forçado de cidadãos livres e escravos para combater na Guerra do Paraguai. Segundo Câmara Cascudo, a pancada única que caracteriza o ritmo da marujada recebe o nome de retumbão. Ex: Adeus minha mãe querida, Marujos de São Sebastião, Prado (CD 3 faixa 15);

Nego-fugido: Manifestação artística envolvendo música, dança e teatro de rua que representa, do ponto de vista do negro, o período da escravidão, onde se desenrola uma fuga e captura de pequenos escravos por soldados e capitães do mato, na revolta destes contra um rei, e a libertação dos escravos, num clima de muito realismo. A música e o instrumental (agogô e três atabaques: rum , rumpi e lé) é uma tradução não-sacra da linguagem musical do Candomblé. Ex: Cativeiro de Iaiá, Lá vem o nêgo, paturi e Qué Qui sapo qué, apoló? Nego-Fugido de Acupe, Santo Amaro da Purificação (BSP, CD 1, faixas 5 e 6);

Pastorinhas: Um pouco diferente do Reis de Pastoras da Bahia, esse grupo de mocas, divididos em dois cordões, o azul e o encarnado, tem clara inspiração nas tradições de Pernambuco. O padrão musical geralmente é a marchinha, num modelo que originou a popular marcha-rancho. Ex.: Pastorinhas de Rodelas (BS&P, CD 8, faixa 2);
Reisados:  Divididos em ternos de Reis, Folias de Reis e Cantorias de Reis. Os reisados, são grupos que atuam no mês de janeiro, em manifestações inspiradas na visita dos Reis Magos ao Deus Menino. Os ternos são organizações urbanas e femininas, onde jovens caracterizadas de pastoras ou ciganas desfilam e visitam as casas, acompanhadas por músicos de sopro, cordas e percussão. As folias de Reis são grupos com indumentária e coreografia que podem eventualmente incluir o bumba-meu-boi e a burrinha. As cantorias de Reis são fenômenos típicos do Sertão onde, sem a inclusão de alegorias, grupos de homens visitam as casas executando versos sagrados e de dança, geralmente obrigados por uma promessa, utilizando como instrumentos as gaitas, o zabumba, a viola e a sanfona. A cantoria, do modo que encontramos no sertão da Bahia ou em Portugal é a forma mais antiga, religiosa e étnica de reisado, abrangendo um Reis da porta, um Reis da Lapinha, agradecimento, chulas e sambinhas para, finalmente, se retirar ritualmente ao som de uma marcha de saída. Ex.: Reis da Lapinha, com o Reis Estrela da Guia, Urandi (CD 1, faixa 2); Reis de Deus Menino, com o Reis de Egídio, Andaraí (CD 2, faixa 2) ; Chula Só tenho 14 anos, com o Reis Devotos de S. Sebastião, Boninal (CD 4, faixa 2); Marcha de Saída, com o Reis de São José, Urandi (CD 2, faixa 15);


 Reza pela chuva: Nas épocas de seca as famílias do sertão costumam organizar procissões de crianças, que saem da igreja matriz carregando pequenos vasilhames de água com flores e ramagens na cabeça, que vão, sempre cantando determinadas musicas, depositar no cruzeiro no alto de uma serra. Ex.: Crianças de Formosa do Rio Preto (BS&P, CD 8, faixa 21);

Samba-chula: É o estilo mais rebuscado e antigo de samba do Recôncavo. Utiliza violas, em um sistema de ponteados, tonalidades e afinações sincronizadas com o tipo de dança a que se pretende. Existem dois sistemas de tonalidades, para samba rápido e lento, e um tipo especial de viola chamado machete, para cantos em solo. Termos como “ré maior” e “relativo” têm significado diferente da teoria musical. O relativo é uma resposta que se dá, por uma dupla diferente de cantadores, ao enunciado da chula. Após o relativo, vem à toada das violas, o único momento onde as dançarinas sambam, uma de cada vez. O samba-corrido, uma sessão de versos soltos, foi mais tarde desmembrado do conjunto, tornando-se o samba-de-roda. Ex.: CD Samba Chula Santa Cruz com participação de Fred Dantas;
Samba de veio: Uma modalidade de samba rural somente encontrada em certos trechos do rio São Francisco, próximo a Juazeiro. O Samba de veio exige um solista, com versos sempre novos, e um coro que repete um refrão estabelecido e a percussão, ao invés de tambores são feitas com tamboretes de pele de bode. Ex.: Samba de veio do Rodeadouro, Juazeiro. (BS&P, CD 7, faixa 7);
Samba de lata: A versão mais antiga, e de remanescentes de quilombolas, numa comunidade muito singular, que durante a seca, ao ir buscar água, batucavam nas latas, por distração, gerando um estilo de samba que dispensa os tambores. Ex.: Samba de lata de Tijuacu, Senhor do Bonfim. (BS&P, CD 7, faixa 6). Outro tipo de samba de lata formado ao modelo das bandas de percussão afro-baianas, somente substituindo os diversos tipos de tambor por latas e bombonas de plástico. Ex.: Salsa Lateira com  o grupo boca de Lata, em Itubera (CD 3, faixa 8);

 Zabumba: Do mesmo modo que as filarmônicas nas cidades maiores, a Zabumba é o conjunto funcional, pau para toda obra na vida das pequenas cidades do Nordeste. Tocam em procissões religiosas, acompanham manifestações teatrais e animam festas dançantes. Seus instrumentos obrigatórios são os dois pífanos solistas, a zabumba, tambor grave que lhe dá nome e o triângulo, mas podem aparecer, também, com grande número de participantes, usando diversos instrumentos de percussão.  Ex.: Banda de Pífanos de Bendengo, em Canudos  e Zabumba de ouro, em Cipó  (BS&P,  CD 7, faixa 13);

Zé de Vale: Drama musicado, presente em todo o Recôncavo e litoral Norte da Bahia. Depois de causar perturbação em um organizado samba de moradores, um jovem rico se vê preso. Todo o drama a partir daí se desenvolve sobre as diversas tentativas da mãe de Zé de Vale em libertar- lo. Tentando inclusive corromper as autoridades, sempre com versos cantados, em diferentes ritmos e estilos de acordo com o personagem. Por fim há a intervenção do povo, que perdoa o infrator e pede a sua liberdade. Ex.: Resinga de Ze de Vale, em Saubara (BSP, CD 7, faixa 2).

Nenhum comentário:

Postar um comentário