Eu não simpatizo muito com o Nélson Motta, sabem por quê? Porque ele me parece sempre um tipo que come pelas beiradas, que não age sobre o que é dele, mas sobre o que os outros inspiram. Se isso resultou nas Frenéticas ou em Marisa Monte, paciência. Ninguém pode errar o tempo inteiro.
Mas lá estava ele, dormindo o tempo inteiro durante os ensaios de Daniela, tanto que nós músicos o apelidamos de Nelsono Mota, e o que ele fez? Aconselhou Daniela a excluir o naipe de sopros faltando três dias pra a gente embarc ar para os Estados Unidos! E ainda disse que Ivete e Claudia Leite fariam logo o mesmo. Não fizeram. E Daniela teve de amargar que as frases dos sopros fossem substituídas pelo teclado, o que gerou um sabor meio Silvano Salles, vocês entendem? Dai aos sopros o que é dos sopros.
E Dani se viu sem o melhor naipe de sopros que já existiu: J, A e F. Nós três somos pessoas difíceis, mas do bem. Dia desses nos reencontramos na Jam Session do MAM e me lembrei de um episódio:
Trompete estava uma pilha de nervos. Há 40 dias excursionando com Caetano Veloso pela Europa, e agora se engajando, na Itália, para mais um mês conosco. Dado momento, estávamos nós três na porta de um hotel alemão, esperando a “van dos músicos” ( uma terminologia da época: a “van dos percussionistas” já tinha partido). Trompete tava com um charuto enorme, jogando fumaça pro nosso lado, e sax sugeriu:
- F, fala com ele pra soprar a fumaça pro outro lado... – eu não! Respondi.
Por fim o próprio sax foi lá: - Trompete dá pra soprar a fumaça pro outro lado?
Resposta:
- Por que eu não posso fumar charuto, porque eu sou negro?
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